AGRONEGÓCIO
Pecuaristas de Mato Grosso têm até quinta para informar rebanho
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O prazo para atualização cadastral dos rebanhos no Estado, uma iniciativa conduzida pelo Governo Estadual, está se encerrando nesta quinta-feira, 30 de novembro. Conforme o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), até o momento, aproximadamente 42% dos criadores ainda não realizaram a devida comunicação.
Até a última segunda-feira, 27 de novembro, apenas 56 mil proprietários de gado bovino, bubalino, suinocultores tecnificados e avicultores comerciais cumpriram com a obrigação de informar seus dados. Este número representa uma redução de 42% em relação à campanha de maio deste ano, na qual 98 mil produtores atenderam à convocação do Indea-MT, fornecendo informações detalhadas sobre seus rebanhos e propriedades.
Iniciada como um meio alternativo à vacinação contra a febre aftosa, a campanha não se limita apenas ao segmento bovino, estendendo-se também a criadores de búfalos, aves e suínos.
Os produtores têm a opção de realizar a atualização por meio do módulo do produtor disponível online, ou de forma presencial em um dos escritórios do Indea ou nos postos de atendimento avançados. No website da instituição, acessando a seção de Sanidade Animal, é possível encontrar informações adicionais sobre a campanha.
Para utilizar o módulo do produtor online, é necessário solicitar o cadastro em um escritório do Indea e assinar um Termo de Compromisso para uso do sistema informatizado. Esse documento está disponível no site do Indea, na área de Atendimento não Presencial, sob a seção de Sanidade Animal.
Desde 9 de novembro, os produtores comerciais que não reportaram seus dados de rebanho estão impossibilitados de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), a menos que o transporte seja destinado ao abate.
Além da comunicação sobre o rebanho, os proprietários de bovinos e bubalinos podem aproveitar a oportunidade para registrar oficialmente suas marcas a ferro.
O não cumprimento da obrigação de comunicar o estoque de rebanho acarretará em penalidades financeiras, com multas que podem chegar a cerca de R$ 6 mil.
Fonte: Pensar Agro
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Acordo afasta risco de falta de fertilizantes, mas custo ainda preocupa produtor
O Brasil deve iniciar a safra 2026/27 sem risco imediato de desabastecimento de fertilizantes, apesar da queda prevista nas importações e das tensões que afetam o comércio internacional. A oferta deverá ser sustentada pelos estoques formados ao longo do ano, pela diversificação dos fornecedores e por um acordo que prevê até 3,8 milhões de toneladas de fosfatados procedentes do Marrocos.
A avaliação foi apresentada pelo governo nesta terça-feira (22.09), durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte. A garantia de disponibilidade reduz o temor de interrupção do plantio, mas não resolve o principal problema enfrentado pelo agricultor: os preços elevados dos adubos e a piora da relação de troca com a produção.
A importação brasileira deve ficar entre 40 milhões e 41 milhões de toneladas em 2026, redução de aproximadamente 10% a 12% diante das 45,5 milhões de toneladas registradas no ano passado. Até setembro, cerca de 27 milhões de toneladas haviam entrado no País.
A retração ocorre mesmo com a previsão de crescimento da área cultivada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o plantio de grãos alcance 85,3 milhões de hectares na safra 2026/27, aumento de 2,2% sobre o ciclo anterior.
A combinação entre área maior e importação menor indica que os produtores deverão utilizar os fertilizantes de forma mais seletiva, recorrer a estoques adquiridos antecipadamente e evitar aplicações acima das necessidades identificadas nas lavouras. Também existe o risco de redução da adubação em propriedades com menor capacidade financeira.
O Brasil ainda importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa o produtor exposto a conflitos internacionais, sanções comerciais, oscilações cambiais, elevação dos fretes e problemas logísticos nos principais países fornecedores.
Nos sete primeiros meses de 2026, as importações recuaram 7,4% em volume, para 22,4 milhões de toneladas. Mesmo com a redução da quantidade, os gastos aumentaram 7,3%, resultado da valorização dos produtos no mercado internacional. Em junho, o preço médio dos fertilizantes importados estava 26% acima do registrado um ano antes.
Rússia e China continuaram como os maiores fornecedores, mas reduziram os embarques ao Brasil. Canadá, Marrocos e Turcomenistão ampliaram as vendas e ajudaram a compensar parte da diminuição registrada em outras origens.
O acordo com Marrocos é considerado uma das principais medidas para reforçar a oferta. O memorando estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a compradores brasileiros durante 2026 e 2027.
Esse volume corresponde a aproximadamente 76% do déficit de 5 milhões de toneladas de fosfatados calculado pelo governo para a nova safra. A efetivação dos embarques, entretanto, dependerá de preços, prazos e demais condições negociadas entre a empresa marroquina e os importadores brasileiros.
O entendimento amplia a segurança de fornecimento, mas não representa garantia de fertilizante barato. Se os preços internacionais, o transporte e os custos financeiros permanecerem elevados, o adubo continuará pressionando as margens das lavouras mesmo com produto disponível nos portos.
A produção nacional de nitrogenados também deverá crescer, mas seus efeitos serão graduais. Três unidades foram reativadas, enquanto a conclusão da fábrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, está prevista para 2029.
A unidade terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia por dia. Sozinha, poderá reduzir em aproximadamente 12% as importações brasileiras de ureia. Somada às demais fábricas, a produção nacional poderá atender perto de 35% do consumo do produto.
A retomada industrial representa um avanço, mas não altera a elevada dependência externa no curto prazo. Durante a safra que está começando, o abastecimento continuará condicionado principalmente às importações e à capacidade de desembarque e distribuição dos produtos.
Para o produtor, a melhor resposta aos preços elevados não é realizar um corte uniforme da adubação. A redução sem critérios pode limitar a produtividade e provocar perdas superiores à economia obtida na compra dos insumos.
Análises de solo, correção da fertilidade, aplicação em taxa variável e aproveitamento dos nutrientes já disponíveis permitem direcionar o investimento para as áreas com maior possibilidade de retorno. Parcelamento, posicionamento correto dos fertilizantes e uso de fontes orgânicas ou biológicas, quando tecnicamente recomendadas, também podem aumentar a eficiência.
A oferta para a safra 2026/27 está mais protegida do que se temia no início do ano. O desafio, porém, apenas mudou de lugar: o risco de faltar produto diminuiu, mas o custo para colocar o fertilizante na lavoura continuará exigindo planejamento, negociação antecipada e rigor na aplicação.
Fonte: Pensar Agro
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