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STF considera que “forçar cartão” a pedido de apostadores não é suficiente para configurar manipulação esportiva

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Igor Cariús quando defendia o Cuiabá — Foto: Lucas Emanuel/AGIF

Nesta terça-feira (02/12/2025), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu conceder um habeas corpus ao jogador Igor Cariús, absolvendo-o momentaneamente da acusação de manipulação esportiva. A Corte entendeu que, por si só, receber um cartão amarelo a pedido de apostadores não configura crime sob a lei atual.

Igor era réu em processo da chamada Operação Penalidade Máxima — investigação que apura esquema de aliciamento de atletas para manipular partidas. Segundo a denúncia, em 2022, quando jogava pelo Cuiabá Esporte Clube, Cariús teria forçado um cartão amarelo em um jogo contra o Atlético Mineiro, com o objetivo de beneficiar apostadores.

A acusação se baseava no artigo 198 da Lei Geral do Esporte, que criminaliza “solicitar ou aceitar vantagem” para atos que “alterem ou falseiem o resultado” de uma competição.

No julgamento, o relator da ação penal no STF, André Mendonça, votou para negar o habeas corpus — ou seja, mantinha o processo. Mas os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli consideraram que a conduta não está tipificada como crime. Eles concluíram que um cartão amarelo isolado não altera o “resultado da competição” de forma suficiente para configurar manipulação. Com isso, a ação penal contra Cariús foi trancada — por enquanto.

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Para muitos especialistas em integridade esportiva, a decisão do STF abre uma brecha preocupante:

  • A lógica de quem defende punição é que mesmo “eventos menores” dentro do jogo — como um cartão amarelo, escanteio, número de faltas — podem ser alvo de apostas, e ao serem manipulados, ferem o espírito de imparcialidade e imprevisibilidade do esporte.

  • Além disso, em torneios acumulativos, cartões podem influenciar classificação, critérios de desempate ou até levar a suspensões — o que, em tese, modifica o “resultado associado” do campeonato.

  • Por outro lado, a defesa e os ministros do STF argumentam que a lei penal atual exige “alteração ou falsificação de resultado” de forma clara — e não há consenso de que um cartão amarelo isolado mude o placar ou o campeão. Ou seja: a ação, tecnicamente, não estaria tipificada como crime.

O que muda — e o que permanece em aberto

  • A decisão do STF não significa que “forçar cartão” é permitido — apenas que, sob a lei atual, não se enquadra como crime penal. A conduta ainda pode (e costuma) ser punida nas esferas esportivas, com suspensões, multas ou sanções disciplinares.

  • Mas o precedente pode influenciar casos futuros similares — como o de Bruno Henrique, do Flamengo, que também é investigado por “tomar cartão” para favorecer apostas.

  • A decisão reacende o debate sobre a necessidade de atualização da legislação esportiva — para que condutas de “spot-fixing” ou manipulação de eventos menores sejam claramente tipificadas como crime. Especialistas defendem que o esporte moderno e o protagonismo das apostas exigem leis mais atualizadas.

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Este caso evidencia como o crescimento das apostas esportivas está forçando o Judiciário e as instituições do futebol a repensarem conceitos de manipulação e integridade. A definição do que é “resultado” e “evento associado” ganha impacto real sobre a credibilidade do esporte — e pode mudar a forma como atletas e clubes são responsabilizados.

Para o leitor curioso, vale acompanhar: decisões como estas não tratam só de um jogador ou um cartão amarelo — tratam da confiança de quem acompanha o futebol e aposta no jogo limpo.

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Brasil vira sobre a Austrália e vence por 4 a 2 em amistoso 

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A Seleção Brasileira superou um primeiro tempo de sustos e derrotou a Austrália por 4 a 2, nesta terça-feira (29.09), em amistoso disputado no Suncorp Stadium, em Brisbane. Vanderson, Raphinha, Bruno Guimarães e Vinicius Júnior balançaram as redes para o Brasil; Circati e Metcalfe marcaram para os donos da casa. A Seleção ainda tem mais um compromisso nesta Data Fifa: no sábado, encara a Índia às 11h (de Brasília), no Vivekananda Yuba Bharati Krirangan Stadium, em Calcutá.

O jogo começou da melhor forma possível para os brasileiros. Aos dois minutos, uma jogada ensaiada pela ponta direita terminou com Rayan servindo Bontempo, que encontrou Vanderson livre para acertar um belo chute no ângulo e abrir o placar.

O segundo quase saiu em seguida. Raphinha recebeu na entrada da área e soltou uma pancada forte, obrigando Patrick Beach a fazer grande defesa. No rebote, o atacante do Barcelona voltou a finalizar, mas parou novamente no goleiro australiano.

Com o controle da posse de bola e do ritmo da partida, o Brasil ditava as ações, mas foi pego em falha pontual. Aos 29 minutos, após cobrança de escanteio fechado, a defesa brasileira se atrapalhou e Circati empatou para os mandantes.

O golpe abalou a equipe de Carlo Ancelotti, que três minutos depois viu o placar virar. Aos 32, a defesa saiu jogando errado, Metcalfe dominou com liberdade na entrada da área e finalizou com precisão, vencendo Otávio.

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Aos poucos, a Seleção voltou a crescer. Aos 42, em mais uma boa trama coletiva, Danilo foi derrubado na área. O árbitro japonês Yusuke Araki revisou o lance no VAR e assinalou o pênalti. Raphinha cobrou com firmeza e deixou tudo igual antes do intervalo.

O segundo tempo começou mais equilibrado. A primeira grande chance foi australiana: aos 15 minutos, Circati apareceu livre na área após escanteio, mas cabeceou por cima, desperdiçando boa oportunidade para os donos da casa.

Do outro lado, o Brasil demorou a criar, mas foi cirúrgico quando chegou. Depois de um primeiro tempo discreto, Vinicius Júnior passou a aparecer mais no jogo. O atacante foi lançado pela esquerda e encontrou Endrick dentro da área, que deu um passe preciso para Bruno Guimarães completar para o fundo das redes e recolocar o Brasil em vantagem.

Aos 30 minutos, quase saiu o quarto. Vini arrancou pela esquerda e inverteu a jogada para Estêvão, que finalizou no canto e viu Patrick Beach fazer mais uma grande defesa. No rebote, a bola ainda bateu em Endrick antes de sair pela linha de fundo.

Aos 34, nada impediu o gol que selou a vitória. Vinicius Júnior fez bela jogada individual, driblou o marcador e foi derrubado dentro da área. O próprio camisa 7 cobrou o pênalti com categoria e converteu.

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Nos minutos finais, a equipe de Carlo Ancelotti administrou a vantagem e controlou a partida até o apito final, confirmando o resultado.

FICHA TÉCNICA
Austrália 2 x 4 Brasil
Competição Amistoso
Local Suncorp Stadium, Brisbane (AUS)
Data 29 de setembro de 2026 (terça-feira)
Horário 7h (de Brasília)
Cartões Amarelos (Austrália) Irankunda, Souttar
Cartões Amarelos (Brasil) Gabriel Magalhães, Endrick
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem Árbitro Yusuke Araki (JAP)
Arbitragem Assistentes Kota Watanabe (JAP) e Kohe Ando (JAP)
Arbitragem Quarto árbitro Ryo Tanimoto (JAP)
Gols 1º gol Vanderson, aos 2 do 1ºT (Brasil)
Gols 2º gol Circati, aos 29 do 1ºT (Austrália)
Gols 3º gol Metcalfe, aos 33 do 1ºT (Austrália)
Gols 4º gol Raphinha, aos 44 do 1ºT (Brasil)
Gols 5º gol Bruno Guimarães, aos 24 do 2ºT (Brasil)
Gols 6º gol Vinicius Júnior, aos 34 do 2ºT (Brasil)
Escalação Austrália Patrick Beach; Jacob Italiano (Geria), Alessandro Circati, Harry Souttar e Lucas Herrington; Aziz Behich, Jackson Irvine e Paul Okon-Engstler (O’Neill); Connor Metcalfe (McGree), Nestory Irankunda (Younis) e Tete Yengi. Técnico: Tony Popović
Escalação Brasil Otávio, Vanderson (Matheuzinho), Jair (Vitor Reis), Gabriel Magalhães e Mauro Júnior (Arthur Dias); Danilo (Breno Bidon), Bruno Guimarães (Martinelli) e Gabriel Bontempo (Andrey Santos); Rayan (Estêvão), Raphinha (Endrick) e Vini Júnior (Samuel Lino). Técnico: Carlo Ancelotti

Fonte: Esportes

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