MATO GROSSO
Construção de 800 tanques de peixes com assistência da Empaer gera renda a agricultores
MATO GROSSO
Um total de 800 tanques para a criação de peixes em cativeiro foram construídos por meio de uma parceria entre a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Prefeitura de Querência (a 945 km a nordeste de Cuiabá), nos assentamentos rurais Canaã e Pingo D’água, no município, para fortalecer a cadeia produtiva da piscicultura na região do Vale do Xingu. A área de mais de 30 hectares de lâmina d’água proporciona aos agricultores familiares mais uma atividade geradora de renda.
O incentivo à piscicultura começou em 2017, de forma ambientalmente correta e economicamente viável para as famílias que manifestaram interesse no projeto. O secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Reforma Agrária do município de Querência, Rodrigo Fenner, afirma que no ano passado foram comercializadas 50 toneladas de pescado. “A região tem um clima favorável para o cultivo de peixe, temos sol o ano todo e em algumas propriedades estão sendo retirados peixe com quase 2 kg, em apenas oito meses”, enfatiza.
De acordo com Rodrigo, a piscicultura desenvolvida nas pequenas propriedades é uma atividade complementar à agricultura familiar, que contribui com o aumento da receita financeira e também com a alimentação das famílias. Os tanques foram construídos sem custo para os proprietários e atualmente 20 produtores estão comercializando a produção nas feiras livres e entregando conforme encomenda. A previsão é que o número de produtores aumente em curto prazo.
Para facilitar a comercialização, os agricultores estão construindo um miniabatedouro com capacidade para abater 300 kg de pescado por dia, das espécies Tambatinga e Pacu Caranha. Para a criação e engorda em cativeiro, os agricultores adquirem por conta própria os alevinos e a ração. “Acredito que neste ano de 2023 o mini abatedouro estará pronto e incentivando a produção e comercialização de peixe no município”, destaca Fenner.
Atualmente, 20 produtores estão comercializando a produção nas feiras livres e entregando conforme encomenda. O extensionista da Empaer, Vanilson Simões de Lima, explica que devido ao potencial hídrico da região o município pode ser o principal polo da piscicultura no Estado. Foram construídos tanques do tamanho padrão de 450 a 1.000 metros quadrados, considerados ideal para facilitar a despesca e o manejo. Ele esclarece que a regra básica para produção é de um quilo de peixe por metro quadrado. “Se o produtor colocar mais alevinos do que o recomendado, sugerimos que retire alguns e comece a consumir antes que o peixe atinja o peso de um quilo”, ressalta.
“Um dos pilares fundamentais para criação de peixe é a quantidade de alevinos a ser introduzida em cada tanque. Orientamos aos agricultores não colocar alevinos acima do recomendado, porque quando crescem vão competir por espaço, alimentação e principalmente por oxigênio. Ficam estressados e susceptíveis a doenças. Cuidados também com a quantidade de ração fornecida e a retirada de matos e ervas daninhas nas bordaduras dos tanques que é de suma importância para o manejo”, esclarece Lima.
Os técnicos da prefeitura foram responsáveis pela análise do terreno, escavação e em parceria com os técnicos da Empaer prestam assistência técnica. A extensionista da Empaer Carla Simões avalia que a cadeia da piscicultura é promissora, pois o produtor pode aumentar a renda em uma pequena área da sua propriedade e utilizar a terra para outras atividades e cultivo de diversas culturas. Os produtores recebem orientações desde a avaliação da qualidade da água, analise da água, teor de oxigênio nos tanques, correção de calcário, adubação, soltura dos alevinos, ração e o abate. “A manutenção da qualidade da água em viveiros de piscicultura é o requisito básico para o sucesso econômico e produtivo da atividade”, relata Carla.
O agricultor Ediberto Aparecido Ferreira, proprietário do Rancho Ponto 7, possui uma área de 65 hectares, localizado no assentamento Pingo d’água, com uma represa de 1.500 metros quadrados, onde são criados peixes da espécie tambatinga. Ele sugere que para ter retorno financeiro é necessário criar pelo menos 2 mil peixes. Na represa que foi construída pela prefeitura, o agricultor colocou 500 alevinos, que estão pesando em média 5 kg.
O incentivo à piscicultura começou em 2017. No Rancho, a represa é um ponto de diversão e encontro da família e dos amigos. O agricultor não gosta de passar a rede no tanque e para retirar o peixe tem que ser com a vara de pescar. Ele avalia se constrói outro tanque para produção de peixe para comercializar. No momento está acompanhando o manejo, a criação e com a experiência que está tendo, acredita que poderá ser uma fonte produtiva como alternativa de renda no campo.
Fonte: GOV MT
MATO GROSSO
Sefaz orienta municípios sobre mudanças na arrecadação com novo sistema tributário
O secretário de Fazenda de Mato Grosso, Fábio Pimenta, participou, nesta quarta-feira (14.10), do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios: Transição e Governança para o Novo Modelo Tributário, promovido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O evento reúne prefeitos, secretários municipais, vereadores, presidentes de Câmaras e técnicos das áreas de Fazenda e Desenvolvimento Econômico para discutir os impactos da reforma nas finanças municipais.
Ao lado do procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, Pimenta abriu a programação de palestras com o tema “Reforma Tributária: Formas, estrutura e fluxo de arrecadação”. Durante sua fala, o gestor alertou para a necessidade dos municípios se prepararem para as mudanças, especialmente em relação à arrecadação de 2026 que será utilizada como referência para a distribuição de parte das receitas durante o período de transição.
“A receita dos próximos 50 anos começa a ser definida agora. É fundamental que os gestores municipais melhorem sua arrecadação ainda em 2026, pois os valores arrecadados entre 2019 e 2026 servirão de base para amenizar as perdas com a Reforma Tributária”, destacou o secretário.
A preocupação está relacionada à mudança da sistemática de tributação e do modelo de desenvolvimento de Mato Grosso, que se baseia na produção. Com a Reforma Tributária, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS) serão gradualmente substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), cuja receita será destinada aos estados e municípios onde ocorre o consumo.
“Mato Grosso é um estado produtor e, com a mudança da tributação da origem para o destino, terá uma perda estimada, ao final do período de transição, de cerca de R$ 10 bilhões. Os municípios mato-grossenses também serão impactados, pois possuem uma população relativamente pequena diante do volume de produção”, explicou Fábio Pimenta.
Durante a palestra, também foram apresentados os novos critérios de distribuição da parcela estadual do IBS destinada aos municípios. Pelo novo modelo, 80% desses recursos serão repartidos proporcionalmente à população, 10% conforme indicadores de aprendizagem e equidade na educação, 5% por critérios ambientais e 5% em parcelas iguais.
O procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo defendeu a revisão de pontos da Reforma Tributária que podem prejudicar Mato Grosso, especialmente os critérios de distribuição de recursos aos municípios. Segundo ele, as mudanças poderão agravar as dificuldades financeiras das cidades com população reduzida e maior dependência de transferências estaduais e federais.
“Um dos caminhos seria exatamente fazer essa revisão dos critérios de distribuição do IBS. Mas isso depende do Congresso Nacional, dos deputados federais, dos senadores e de toda uma articulação que deve ser feita”, afirmou Gallo.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, também reforçou a importância de os gestores municipais ampliarem a arrecadação própria e para a situação dos municípios com população reduzida. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais. Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro”, disse.
Também participaram da abertura o presidente da Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), os conselheiros José Carlos Novelli, Valter Albano e Campos Neto; a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Anne Karine Louzich; o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo; o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel; o ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin; o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), Yendis Costa; a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica; e o primeiro vice-presidente da AMM e prefeito de Rondolândia, José Guedes.
Integração com os municípios
Outro ponto destacado durante a apresentação foi o trabalho desenvolvido pela Sefaz em parceria com a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) para preparar as administrações tributárias para o novo modelo. A atuação conjunta ocorre por meio de um Comitê Gestor Regional, que conta com grupos técnicos responsáveis pela integração das administrações tributárias e pela realização de estudos e simulações sobre os impactos da reforma.
A iniciativa busca fortalecer a cooperação entre o Estado e os municípios, promover o compartilhamento de informações e apoiar o planejamento das administrações municipais diante das mudanças na arrecadação.
O 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios é promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID) do TCE-MT. O evento está sendo realizado na Escola Superior de Contas e segue até esta quinta-feira (15).
Fonte: Governo MT – MT
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