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Mulheres com deficiência têm sexualidades negadas e desmotivadas

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Mulheres com deficiência falam sobre sexualidade e os desafios causados pelo capacitismo.
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Mulheres com deficiência falam sobre sexualidade e os desafios causados pelo capacitismo.

O Brasil possui 10,5 milhões de mulheres com algum tipo de deficiência física ou intelectual, segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Apesar de serem uma parcela expressiva da população, as mulheres com deficiência são constantemente marginalizadas e desumanizadas em diferentes áreas da vida, incluindo a sexual.

A infantilização ou a presunção de que todas as pessoas com deficiência não têm sexualidade são algumas das barreiras que essa população enfrenta diariamente, especialmente pelo preconceito de que a deficiência pode, de alguma forma ser um impedimento para uma vida comum. 

Para a ativista e jornalista Sarah Santos, é necessário desmistificar a ideia de que toda pessoa com deficiência é assexual, (pessoa que sente nenhuma ou pouca atração sexual) também chamando a atenção para a importância de reconhecer a autonomia  delas. 

“Eu tenho 24 anos, sou jornalista e pós-graduada. Já comprei uma casa e tenho toda uma vida de autonomia e independência, mas muita gente preconceituosa infelizmente ainda insiste em me ver como uma criança. Por causa da deficiência, acham que eu sempre preciso de alguém, que sou dependente de alguma outra pessoa, mas a verdade não é bem assim. As pessoas com deficiência estão cada vez mais independentes. A nossa deficiência não nos limita, o que nos limita é a sociedade ao nosso redor, que não é acessível e inclusiva”, diz a jornalista. 

Outro ponto levantado por Sarah é o pensamento de que se relacionar com pessoas com deficiência é fazer um favor ou um “ato heróico”. Ela relata como atitudes como essa são capacitistas e afetam negativamente a autoestima dessas mulheres. 

“Quando estamos com pessoas que se colocam num pedestal por estarem conosco, acabamos naturalizando o pensamento.‘Caramba! Fulano é muito bom mesmo por estar comigo, porque olha, eu tenho uma deficiência. Ele podia namorar uma menina sem deficiência, mas ele escolheu me namorar. Que legal!’. Acabamos aceitando qualquer coisa. Se a pessoa nos trata mal acaba sendo aceitável por se tratar de uma pessoa namorando uma mulher com deficiência. Os relacionamentos acabam se tornando abusivos.” explica.

Sarah já viveu esse tipo de relacionamento aos 14 anos, quando teve o seu primeiro namorado. Ela conta que o namoro não era aprovado pela mãe do rapaz por causa da deficiência dela e que chegou a ouvir diversos comentários negativos vindo de diferentes pessoas. No entanto, por ser muito jovem, não sabia como lidar com a situação. 

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“A mãe dele dizia que não tinha preconceito, mas não queria que o filho namorasse comigo por ter medo do que as pessoas iam falar. Ele me apresentava e logo vinham comentários: ‘Nossa! Ela é bonita!’, mas  ele sempre falava, ‘Mas você viu que ela tem uma deficiência?, como se isso de alguma forma me diminuísse. As pessoas o colocavam como um cara muito legal, um super-herói por estar namorando uma pessoa com deficiência Eu só sabia que eu me sentia muito desconfortável com aquilo”, relembra Sarah. 

Dificuldade em relacionamentos

Lelê Martins, criadora de conteúdo digital no Instagram e no TikTok sobre  PCDs, se tornou uma pessoa com deficiência após perder uma das pernas em um acidente. Depois disso, ela viveu experiências românticas negativas. Para Lelê, é difícil conseguir se envolver de forma romântica com outras pessoas e se ver merecedora desse afeto.

“Até hoje tenho bloqueios, porque tenho medo das mesmas coisas acontecerem e tudo se repetir. Claro que a gente trata isso com o tempo, mas a liberdade afetiva e amorosa que tinha antes não voltou. Mas também entendo que tem que ser no meu tempo, então vou com calma e na medida do que alcanço”, desabafa  Martins.

Lelê relata uma das experiências traumáticas que viveu. Logo após sofrer o acidente, ela foi abandonada pelo namorado da época. Martins conta como o acontecimento abalou a sua confiança autoconfiança e como ela ainda está tentando recuperar essa autoestima. 

“Na época eu me culpei por isso, ficava pensando que ele estava mais que certo, porque ‘ninguém merece namorar uma inválida’. Era isso que pensava de mim mesma. Depois só percebi que ele era um covarde por não ter sido cauteloso ao fazer isso. Mas foi horrível para mim na época, porque rapidamente entendi que o afeto não era mais para mim e demorei muito tempo (para entender) que eu tenho direito a viver isso também. Ainda estou tentando”, diz a criadora de conteúdo. 

Padrões de beleza atrapalha autoestima

Lelê destaca como a sociedade retira qualquer traço de sensualidade e atratividade das mulheres com deficiência, fazendo com que elas mesmas se sintam dessa forma. 

“Eu sempre fui fora do padrão, mas uma das poucas coisas que amava no meu corpo eram minhas pernas, tanto que sempre usei roupa curta para mostrar mesmo. Mas quando aconteceu o acidente eu achei o meu corpo horrível. As pessoas me diziam para usar roupa comprida para esconder minha deficiência e foi o que acabei fazendo. E isso gerou um processo de parar de me cuidar, coisa porque ninguém mais ia me querer mesmo. Reconstruir isso foi uma das tarefas mais difíceis da minha vida”.

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Além disso, como mulher preta, ela também percebe a falta do debate racial na comunidade PCD, além da dupla marginalização e solidão que sofre.  

“Essa solidão vai além de relações amorosas. Isso aparece na família, amigos, pessoas próximas, do trabalho  etc. Eu tenho que ser forte sempre, não tenho o direito de chorar. Existe uma falta de racialização do debate, pois são em pouquíssimos casos que pessoas negras são infantilizadas; muito pelo contrário, somos adultizadas muito rápido. Porém, o afastamento do meu direito á sexualidade foi realmente uma pauta quando me tornei  PCD tanto que eu mesma desacreditei ter o direito de viver isso”.

Educação sexual

Falar sobre sexo e sexualidade é um tabu em na sociedade. Essa dificuldade para abordar o tema muitas vezes é acentuada dentro dos lares com pessoas com deficiência. Essas famílias tendem a ser superprotetoras  ou não entendem que PCDs também são donas de  sexualidades como qualquer outra pessoa. 

Sarah Santos defende a importância da educação sexual e relembra como foi  importante para o seu amadurecimento ter um diálogo aberto com a mãe sobre relações sexuais. 

“A gente vive numa sociedade que às vezes é extremamente conservadora, que acredita que o caminho é não dialogar e não ensinar sobre educação sexual. Eu tive sorte por ter esse diálogo aberto com a minha mãe. Foi muito importante para eu conseguir entender situações ruins relacionadas a minha sexualidade e construir a minha autoestima, ter autonomia sobre o meu corpo e tomar as minhas próprias decisões, sem pensar em agradar alguém, seja o meu namorado, as minhas amigas ou a tendência do momento”, afirma a jornalista. 

Difundindo informações

As experiências de Lelê  a motivaram a se comunicar com mais pessoas que podem sentir a mesma solidão e sensação de não pertencimento que ela. Em suas redes sociais ela se comunica diretamente com pessoas com deficiência e traz de uma maneira descontraída informação sobre o assunto. Atualmente, o perfil dela, chamado “blogueirapcd”, tem 36 mil seguidores no Instagram e 28 mil no TikTok.

“Quis começar na internet porque precisava me conectar com pessoas que vivem o mesmo que eu, para entender que não estava sozinha nesse mundo. Acabei encontrando uma comunidade muito acolhedora”, finaliza a criadora de conteúdo. 

Ela não é a única. Sarah também usa as suas redes sociais como forma de ativismo e tem 253 mil seguidores no  TikTok. Lá, ela aborda pautas da comunidade PCD, trazendo informação e desmistificando preconceitos. 

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Fonte: IG Mulher

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Home office: 6 dicas para organizar o ambiente de trabalho

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Home office: 6 dicas para organizar o ambiente de trabalho
Redação EdiCase

Home office: 6 dicas para organizar o ambiente de trabalho

Arquiteta explica o que deve ser priorizado para deixar o espaço confortável e funcional

Por Heloisa Vieira 

Com a pandemia, o home office virou realidade para boa parte das pessoas e se tornou uma tendência que veio para ficar. Com o aumento da produtividade dos funcionários e a praticidade do trabalho remoto, muitas empresas nem pensam em voltar ao regime 100% presencial, investindo, algumas vezes, em formatos híbridos. Com isso, a demanda por um local de trabalho adequado segue alta nos projetos residenciais.

“Muito mais do que mesa, cadeira e computador, o escritório é um cantinho que merece muita atenção. Afinal, passamos boa parte do nosso dia ali”, lembra a arquiteta Carina Dal Fabbro. Além dos móveis corretos e das questões de ergonomia, também vale pensarmos detalhadamente na organização diária desse local para torná-lo ainda mais funcional e estimulante.

Pensando nisso, a arquiteta listou algumas dicas para você ter um espaço especial para trabalhar. Confira!

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1. Invista em um mobiliário adequado 

Para que o espaço de trabalho seja perfeito, convém pensar, antes de mais nada, na ergonomia e na organização. “Afinal, é um lugar onde você vai passar várias horas do dia. Nada mais justo do que deixá-lo o mais agradável e confortável possível”, pontua Carina.

A primeira recomendação é que se invista em uma cadeira ergonômica para o escritório e em uma mesa que respeite as dimensões necessárias a fim de evitar desconfortos. “A altura da mesa costuma variar entre 70 e 75 cm, podendo ser maior ou menor quando consideramos a estatura do morador”, orienta a profissional.

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Além disso, também é essencial priorizar a iluminação. O ideal é que a mesa fique próxima da janela para que o usuário possa usufruir da luz natural. Para dias mais escuros ou na hora de trabalhar à noite, uma luminária de mesa é providencial!

2. Deixe sobre a mesa somente o necessário 

Após os cuidados com o mobiliário, o primeiro passo para quem quer organizar a mesa de trabalho é deixar sobre a bancada apenas os itens que são utilizados continuamente, ou seja, computador ou notebook, porta-lápis e bloco de anotações.

“Quanto mais coisas sobre o móvel, mais fácil é de chegar ao visual ‘entulhado’. Isso atrapalha a nossa concentração e dá espaço para a bagunça aparecer. Os itens que não são usados com frequência podem ficar armazenados em gavetas, por exemplo”, conta Carina.

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3. Utilize gavetas 

Para manter o propósito de ter à vista somente o essencial, Carina recomenda que, se possível, invista em modelos de mesa com gavetas embutidas. “Assim, é possível organizar e até mesmo setorizar o que não deixamos em cima da mesa. Na primeira gaveta, por exemplo, mantenha documentos, agendas e pastas necessários durante a rotina de trabalho. Nas gavetas seguintes, vale guardar o que é utilizado e consultado esporadicamente”, diz Carina Dal Fabbro.

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4. Aplique prateleiras 

Carina recomenda investir, ainda, em prateleiras, nichos e estantes como forma de otimizar o espaço de armazenamento e fazer valer o espaço vertical. Quadros aramados também são uma boa opção e podem servir para acomodar recados e lembretes importantes, como datas de entrega, planejamentos e calendários.

5. Recorra as caixas organizadoras 

Não se pode falar em organização e esquecer das tão famosas caixas organizadoras, não é mesmo?! “No caso do escritório, as mais indicadas são feitas de papelão, que servem para guardar desde pastas a papéis soltos. Além disso, elas também podem ser etiquetadas para que fique mais fácil identificar o que está sendo guardado”, recomenda a arquiteta. “Outro ponto positivo das caixas é que elas podem ser empilhadas, de modo que não ocupam muito espaço no escritório”, continua.

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6. Aproveite os acessórios 

Além disso, a arquiteta recomenda investir em divisórias ou organizadores internos para as gavetas, que podem ser usados para separar os clips, post-its, canetas, réguas, fitas adesivas e outras miudezas de papelaria que podem se perder ou bagunçar com facilidade. Por fim, o uso de revisteiros no chão ou nas laterais da mesa também é uma boa opção para otimizar o espaço e manter tudo organizado.

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Fonte: IG Mulher

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