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STF segue na missão de restaurar patrimônio histórico após ataque de 8/1

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Um mês após os atos de vandalismo às sedes dos três Poderes da República, o Supremo Tribunal Federal (STF) segue firme na missão de restaurar o patrimônio público vilipendiado na tarde de 8 de janeiro, quando criminosos invadiram o edifício-sede e destruíram instalações, objetos históricos, mobiliário, vidraças, tapetes e obras de arte. Como frisou a presidente do Supremo, ministra Rosa Weber, na sessão de abertura do Ano Judiciário de 2023, os vândalos não destruíram o espírito da democracia, que segue inabalada.

Com esse espírito democrático, e visando assegurar que as atividades não sofressem nenhum prejuízo, todas as pessoas que atuam na Corte deram continuidade às suas funções, e diversas equipes de trabalho se dedicaram à reconstrução dos espaços e dos objetos danificados, com prioridade para a reconstituição do Plenário. A ministra Rosa Weber havia se comprometido a realizar a sessão de abertura do Ano Judiciário no local totalmente restaurado.

Reconstrução

No dia 1° de fevereiro, a sessão solene que inaugurou os trabalhos de 2023 se deu no Plenário totalmente reconstituído, com a presença dos 11 integrantes da Corte, do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco. Isso só foi possível com a dedicação de dezenas de servidores e colaboradores que, desde logo, se envolveram no planejamento e na execução das medidas necessárias para a reconstrução não apenas do Plenário, mas de todo o edifício-sede (veja imagens).

Em 10 de fevereiro, a ministra Rosa Weber, por meio da Portaria 14/2023, instituiu o gabinete extraordinário para reconstrução do Plenário da Corte. O gabinete funcionou diariamente até a entrega do espaço e foi composto por representantes de diversas áreas do Tribunal, bem como de órgãos públicos e de instituições civis com expertise, sob a coordenação conjunta da chefe de gabinete da Presidência, do diretor-geral da Secretaria do Tribunal e do secretário-geral da Presidência

Após a conclusão da perícia da Polícia Federal, profissionais das áreas de limpeza, carregamento, marcenaria, restauração, gestão de patrimônio, arquitetura e engenharia realizaram um trabalho coordenado, que se estenderá até a entrega total de tudo o que foi danificado.

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Restauração

Em paralelo, o Laboratório de Restauro da Corte se dedicou à recuperação de itens do acervo histórico e artístico, relacionados à memória institucional do Tribunal. A equipe de restauradores teve acesso aos itens destruídos e realizou um salvamento inicial das peças, a fim de interromper a deterioração ocasionada pela exposição à água, ao pó dos extintores de incêndio e à luminosidade inadequada. Também foram recolhidos e separados fragmentos das obras (veja imagens).

Dos 114 itens passíveis de restauração, 28 foram restaurados, entre eles dez bustos em bronze de figuras da História do Brasil, dois brasões da República, cinco quadros, a escultura em bronze “A Justiça”, de Alfredo Ceschiatti, a galeria de fotografias dos ministros presidentes e o crucifixo em bronze do Plenário, também de Ceschiatti, em parceria com o artista plástico Werner. Tiveram perda total 31 itens, como cadeiras, bases dos bustos, vasos e a escultura “Os Dois Magistrados”. Uma bandeira do Brasil não foi localizada.

A cooperação institucional de profissionais da Câmara dos Deputados e do Conselho de Justiça Federal também foi destaque nos trabalhos de restauração, como o realizado na recuperação das bancadas de madeira do Plenário.

Na parte das instalações, após a restauração do térreo, onde fica o Plenário, os trabalhos se voltam aos demais andares do edifício, onde se localizam áreas administrativas e da Presidência.

Democracia Inabalada

Toda essa trajetória, desde o resultado dos ataques, passando pelo processo de reconstrução, até a entrega do Plenário totalmente restaurado, foi retratada pela campanha #DemocraciaInabalada, criada para chamar a atenção para o episódio e destacar que a democracia e a Suprema Corte saem fortalecidas desses acontecimentos.

O Supremo produziu vídeos e materiais de divulgação, como cards para redes sociais, disponibilizados para compartilhamento por entidades, outros tribunais, órgãos públicos e quaisquer interessados.

Abraço

Também em 1° de fevereiro, cerca de mil servidores, colaboradores e estagiários abraçaram o edifício-sede. A presidente da Corte, ministra Rosa Weber, a ministra Cármen Lúcia e os ministros Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Nunes Marques e André Mendonça participaram do ato. Eles passaram por todo o prédio aplaudindo os trabalhadores e depois deram as mãos para completar o abraço simbólico. A ministra Rosa Weber afirmou que, graças ao trabalho de todos, o prédio foi reconstituído. “Estamos aqui simbolizando essa data de reconstrução, de reconstituição de vida, de prevalência do Estado Democrático de Direito e da democracia”, destacou (veja imagens).

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Memória

Com o intuito de documentar e ressignificar o atentado ao patrimônio material e imaterial, o STF criou pontos de memórias com as marcas da violência da invasão. O objetivo é que esses fatos fiquem gravados na memória institucional do Supremo e de toda a sociedade e que esse dia jamais seja esquecido.

O primeiro ponto de memória é o Espaço Uragami, no Hall dos Bustos, próximo a uma das entradas do Plenário, onde está exposto o quadro “Os Bandeirantes de Ontem e de Hoje”, do artista plástico Massanori Uragami. A obra foi restaurada após o ataque ao Supremo.

Nesta primeira edição, estão expostos objetos utilizados pelos invasores para iniciar a depredação, como bolas de gude e pedras portuguesas do piso da Praça dos Três Poderes, fragmentos de itens do acervo histórico do Tribunal que foram totalmente destruídos, como o espelho que compunha o Salão Nobre, e as fotos arrancadas da Galeria de Presidentes. O destaque é o busto de Rui Barbosa, patrono dos advogados brasileiros, que, após vilipendiado, continuará no Supremo sem ser restaurado (veja imagens).

Todas essas ações reforçam, nas palavras da presidente da Corte, que, “no solo sagrado” do STF, o regime democrático permanece inabalado, e o Supremo “continuará em permanente vigília, na incondicional defesa da supremacia da Constituição e da integridade da ordem democrática”.

SP/AD//CF

Fonte: STF

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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