JURÍDICO
Presidente do TSE recebe relatório da Comissão #AssédioNão
JURÍDICO
A Comissão do Tribunal Superior Eleitoral de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação (Copead/TSE) entregou, ao presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, o relatório de atividades de 2021. O documento foi entregue pelo presidente da Comissão, ministro Sérgio Banhos, que esteve acompanhado das integrantes da Comissão Simone Trento, juíza auxiliar do TSE, e Thayanne Fonseca Pirangi Soares, servidora da Casa.
A Comissão #AssédioNão é fruto de regulamentação originária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que instituiu a Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e Discriminação no âmbito do Poder Judiciário, por meio da Resolução CNJ nº 351/2020. No TSE, a Comissão foi instalada em caráter permanente no primeiro semestre de 2021, tendo como principais funções sugerir medidas, recomendações e providências a serem tomadas por agentes do TSE para o cumprimento da política instituída pelo CNJ.
Ao receber o relatório, o ministro Barroso fez questão de enaltecer o trabalho da Comissão, que ele destacou “como um trabalho muito importante” desenvolvido no Tribunal como mais uma forma de conscientizar e evitar situações relacionadas ao assédio no ambiente de trabalho. “Um dos dados mais importantes relatados é que não se constatou nenhum caso de assédio no TSE, desde a criação da Comissão”, afirmou.
Segundo o relatório, para 2022, o TSE deve promover um plano de capacitação para os membros da Comissão e a comunidade do Tribunal, nas ações que se relacionam aos temas de assédio moral, assédio sexual e discriminações no ambiente de trabalho. A medida vai habilitar os membros do colegiado para a recepção de denúncias, o acolhimento e a orientação de eventuais vítimas, bem como para a sugestão de medidas capazes de prevenir situações de assédio no ambiente de trabalho.
Ações
O relatório destaca as iniciativas promovidas desde a criação da Comissão, como a implementação de uma espécie própria no formulário na página da Ouvidoria do TSE. O objetivo é que todas as pessoas que presenciaram ou passaram por alguma forma de assédio ou discriminação no Tribunal possam relatar a situação por meio da ferramenta.
Além disso, uma cartilha educativa foi elaborada pela Comissão, trazendo, com linguagem simples, conceitos e exemplos de atos que podem ser considerados assédio ou discriminação. O colegiado ainda realizou uma pesquisa com as trabalhadoras e os trabalhadores da Corte com o intuito de coletar dados sobre a percepção dessas pessoas em relação a fatores que possam influenciar ou identificar situações de assédio.
TP/LC, DM
Leia mais:
02.12.2021 – TSE promove evento sobre prevenção e combate ao assédio e à discriminação no trabalho
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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