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Simonetti destaca importância do combate à violência de gênero em evento no STJ

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O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, participou, nesta segunda-feira (14), da solenidade de adesão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) à Campanha Sinal Vermelho – iniciativa conjunta da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que busca integrar os poderes públicos e a sociedade na luta contra a violência doméstica e de gênero. A Ordem é signatária da campanha desde julho de 2020.

Simonetti destacou que os temas ligados à mulher representam um termômetro da sociedade e da democracia de um país. “A grave crise sanitária que atravessamos escancarou a vulnerabilidade das mulheres. A violência doméstica foi intensificada nos tempos de isolamento social, um dos motivos pelos quais a OAB, em 2020, foi à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos para denunciar este panorama brutal”, disse. “A OAB jamais se omitiu em tema tão importante porque tem a consciência de que a preocupação com a igualdade de gênero está intrinsecamente ligada à consolidação de uma sociedade justa, fraterna e humana”, apontou.

O presidente da Ordem alertou para o fato de também as advogadas serem vítimas da violência. “Muitas vezes em função do exercício profissional, há casos de agressões físicas e verbais, espancamentos e atentados contra a vida. A OAB está na vanguarda do debate público e em sintonia com o mundo real, portanto sabe que a violência de gênero é uma chaga que atinge todos nós”, completou Simonetti, ressaltando que o tema já integra as principais pautas da entidade, que já adequou seu regulamento à paridade de gênero, inclusive nesta última eleição.

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O presidente do STJ, ministro Humberto Martins, lembrou ainda das violências de caráter psicológico e moral contra as mulheres. “Essas não ferem fisicamente, mas matam aos poucos. Precisamos de igualdade, precisamos enxergar que o fruto da Justiça é a paz. Ansiamos por políticas públicas efetivas neste sentido, tanto de conscientização quanto de reparação. Precisamos defender os direitos humanos e para isso convidamos a sociedade e as entidades para trabalharmos lado a lado”, disse o magistrado. 

 Para a presidente da AMB, Renata Gil, a inércia de ação da sociedade civil organizada não pode jamais ser aceita. “A ideia para essa campanha veio quando assisti na TV, ainda no primeiro mês do isolamento social, a uma propaganda sobre o crescimento dos índices de violência contra a mulher. Eu, como primeira presidente do sexo feminino da AMB, me senti tocada e incentivada a agir. Em conversa com a juíza Domitila Manssur, adaptamos uma campanha da Índia e assim nasceu a Sinal Vermelho”, afirmou.

O evento teve ainda as presenças dos ministros do STJ Reynaldo Fonseca, Assusete Magalhães, Regina Helena Costa e Moura Ribeiro, este último ouvidor do Tribunal; do ouvidor do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Engels Augusto Muniz; do conselheiro do CNJ Márcio de Freitas; das deputadas federais Celina Leão (PP-DF), Margarete Coelho (PP-PI) e Soraya Santos (MDB-RJ); da diretora do AMB Mulheres, Domitila Manssur; da conselheira do CNJ Tania Reckziegel; da procuradora federal Maria Cristiana Ziouva e da promotora Gabriela Manssur. 

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A campanha

Criada pela AMB em parceria com o CNJ, a Campanha Sinal Vermelho busca integrar os poderes públicos e a sociedade na luta contra a violência doméstica, em um esforço para tirar o Brasil do quinto lugar entre os países mais perigosos do mundo para mulheres. O objetivo da iniciativa é divulgar um instrumento de denúncia: desenhando um “X” na palma da mão (de preferência em vermelho) e mostrando em farmácias, cartórios e outros estabelecimentos que já aderiram à iniciativa, a vítima de violência doméstica pode pedir ajuda, e quem receber a mensagem deve acionar a Polícia. A campanha levou à recente aprovação da Lei 14.188/2021.

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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